A passagem da cantora Roberta Sá pela Bahia durante a programação do Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (FLIFS) foi além dos palcos e debates. A artista aproveitou a agenda no estado para vivenciar de perto dois importantes territórios da cultura popular baiana, acompanhada pela cantora feirense Maryzelia, referência na valorização das tradições afro-brasileiras.
Após participar da abertura da 19ª edição do FLIFS, em Feira de Santana, as artistas visitaram o Quilombo da Matinha, comunidade reconhecida nacionalmente pela preservação do samba de roda através da Quixabeira da Matinha. Em seguida, seguiram para Cachoeira, no Recôncavo Baiano, onde estiveram com Dona Dalva Damiana de Freitas, uma das mais importantes guardiãs da cultura popular do estado.
Em publicação nas redes sociais, Roberta Sá compartilhou registros dos encontros e revelou a emoção de conhecer a Matinha, um desejo antigo que carregava há quase duas décadas.
“Estar no solo matriz do samba de roda foi um sonho que levei quase 20 anos para realizar”, escreveu a artista.
Na Matinha, Roberta e Maryzelia foram recebidas por Dona Chica do Pandeiro, por Guda, um dos responsáveis pela continuidade da Quixabeira, e por integrantes da comunidade quilombola que há gerações preservam a tradição do samba de roda. O encontro reforçou a importância do território como um dos principais núcleos de resistência cultural da Bahia.
A Quixabeira da Matinha é reconhecida como uma das maiores referências do samba de roda baiano. Sua trajetória ultrapassou as fronteiras da Bahia e do Brasil, levando a cultura popular feirense para festivais, circuitos culturais e apresentações internacionais. Ao longo dos anos, o grupo se consolidou como símbolo da memória, da identidade e da força das comunidades negras rurais do interior baiano.
A visita também chamou atenção para o patrimônio cultural existente em Feira de Santana. Embora seja admirada por pesquisadores, artistas e estudiosos da cultura popular em diversas partes do país, a riqueza histórica e simbólica da Matinha ainda é pouco conhecida por muitos moradores da própria cidade.
Após a experiência em Feira de Santana, Maryzelia conduziu Roberta Sá a outro local fundamental para a história do samba de roda: a cidade de Cachoeira. Lá, as artistas estiveram com Dona Dalva, mestra da cultura popular brasileira e criadora do Samba de Roda Suerdieck, uma das mais importantes manifestações culturais do Recôncavo Baiano.
Reconhecida nacionalmente por sua atuação na preservação das tradições afro-brasileiras, Dona Dalva é considerada um dos maiores patrimônios vivos da cultura baiana. Sua trajetória atravessa décadas dedicadas à manutenção dos saberes ancestrais, à valorização das mulheres sambadeiras e à transmissão dos conhecimentos do samba de roda para novas gerações.
A importância de Dona Dalva está diretamente ligada à salvaguarda de uma das expressões culturais mais representativas da identidade baiana. Seu trabalho contribuiu para fortalecer o reconhecimento do samba de roda como patrimônio cultural brasileiro e referência da herança africana no país.
As visitas realizadas por Roberta Sá e Maryzelia evidenciam a força dos territórios culturais da Bahia e a importância de preservar histórias construídas por mestres e mestras da tradição popular. Da Matinha, em Feira de Santana, a Cachoeira, no Recôncavo, os encontros revelam um percurso de conexão com as raízes do samba e com personagens fundamentais para a manutenção da memória cultural brasileira.
Ao colocar em destaque nomes como Dona Chica do Pandeiro, os integrantes da Quixabeira da Matinha e Dona Dalva, as artistas também ajudam a ampliar a visibilidade de patrimônios humanos e culturais que seguem inspirando novas gerações e mantendo viva uma herança que é motivo de orgulho para toda a Bahia.







